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17 de junho de 2008

Sexta Feira 13

Costumam dizer que sexta-feira 13 é um dia para se ter cautela. Dizem que é o dia do azar. Talvez. Talvez para alguns seja mesmo. Inclusive não só as sextas-feira 13. Mas também qualquer outro dia da semana, do mês e do ano. Eu sei que má sorte faz parte da vida. Assim como o oposto. Tem aquele sujeito que diz que caldo de galinha, prudência e um pouco de sorte não faz mal a ninguém.

Pois bem, pra mim esta sexta-feira 13 vai ficar sendo um marco histórico. É exatamente nesta data que se inicia um novo começo em minha vida. Um começo que foi longamente desejado. Um começo que foi interrompido sem nem mesmo começar. Mas que no tempo certo me foi novamente presenteado. É um momento único. Por alegria maior, será uma data compartilhada principalmente a dois. É uma sexta-feira 13 cheia de estórias de sorte, de coincidências, de conquistas e o melhor: uma sexta-feira 13 recheada de amor.

Cento e Sessenta e Cinco dias foi o tempo necessário para que eu fosse presenteado com um grande amor e, hoje, sexta-feira 13 de junho, no dia de santo Antônio, estamos dando mais um passo para nossa felicidade. Ter um canto pra chamar de nosso. Hoje temos o nosso lar, que será palco de outras grandes conquistas e principalmente será o ambiente onde cresceremos juntos e construiremos o nosso Amor. A conquista é nossa, mas eu dedico este dia tão especial a você, minha Pequena, minha amada Cris, pra sempre o “meu Broto”. Um brinde à sexta-feira 13 e ao Biu.

25 de abril de 2008

As a Gift

Eu me encanto percebendo como pequenos detalhes da vida tomam proporções mágicas. Um simples sorriso é capaz de fazer disparar os batimentos cardíacos. Aquele olhar, então, ilumina como uma estrela de primeira grandeza. Simples momentos que transformam o universo e geram sentimentos antes inimagináveis. A partir de quando amar seria permitido?
O amor não exige tempo. Exige admiração, exige respeito, exige companheirismo e principalmente aquele friozinho na barriga. Daqueles que o mundo pára só pra você curtir um pouco mais. É esse amor que eu chamo de “Gift”, que pode ser traduzindo do inglês como “presente de Deus”. E eu ganhei esse presente. Eu sinto esse friozinho na barriga. Eu sinto o coração querer sair pela boca apenas com um sorriso. E tenho a absoluta certeza que o mundo pára com seu beijo. Que algumas estrelas queriam brilhar como o seu olhar.
Lembra quando escrevi que eu era um louco por acreditar neste amor? Que eu era um insano? Pois bem! Eu sou mesmo. Mas eu garanto: é uma loucura deliciosa. Daquelas que você não desejaria nunca voltar pra realidade. E isso é simples. Tão simples como admirar uma rosa que desabrocha no jardim. Como amar. Como lhe amar.
Ainda bem que eu estava certo! Amar é simples. Amar é obvio. Amor é o que sinto por você e expresso todos os dias. Quando sinto saudade do seu sorriso, quando sinto falta do seu beijo. Quando quero você do meu lado, apenas do meu lado. Seja para dormir, seja para sonhar, seja para sorrir, seja para no mínimo uma viagem.

8 de fevereiro de 2008

Amor Lunático

Sabe o que acontece?
É que os sentimentos são distorcidos como a realidade que os cerca. Será que o que sentimos é real? Será que aquele amor, é amor mesmo? Ou aquela saudade é tão somente a vontade de ter a pessoa perto? Será que não é pura carência? Ou medo da solidão? Tão simples que seria amar. Amar é incondicional (e ponto). Não precisa de mais explicações. Nem explicações demais. Pode ser ela do jeito que for. Amar é incondicional. Talvez dissessem os juristas: amar é incondicional à coisa. Talvez seja melhor aquele que cantava: o amor é ferida que dói e não se sente. Ou entao o poeta que sabiamente comentou: que seja infinito enquanto dure.
Somente estes para descrever tão nobre sentimento. Acredito ser uma das poucas palavras que não adianta procurar no dicionário, pois sua explicação não convence! Nem mesmo nas suas quase vinte e quatro conceituações.Quantas facetas. Quantas explicações para algo que não explica. Que é puro sentimento. Puro. E eu como faço para viver meu amor irreal? Meu amor insano? Que acredita que amor é conquista e não posse? Que amor é entrega e não propriedade? Que amor é uma decisão individual e não uma obrigação? Que amar é renunciar? Que amar é dedicação? Que amar é respeito? Que amar é admirar? Devo ser um louco. Um insano em acreditar neste amor. Quando eu amo, eu sou da outra pessoa e não ela que é minha! Ela não me pede! Eu que me dôo! Não é ela que exige, sou eu que concedo.Talvez esteja sendo um néscio racional! Ou apenas (e também) um tolo emotivo! Mas amar devia ser simples. Devia ter apenas um único conceito no dicionário. Amar devia ser óbvio. Amar devia ser o que sinto por você e não consigo expressar.

16 de dezembro de 2007

A vida é um “Pay-per-View”

A vida não é um ensaio. O agora é real. Não há teste. Prova. Experiência. Estar vivo não é simplesmente estar respirando. É estar interagindo, influenciando, sendo influenciado. É passar pelo processo da evolução. De renascer a cada momento. Não se pode esperar que algo vá acontecer ou que algo nos fará mudar. Mudança é uma porta que se abre por dentro. Reagir depende de nós.
Você pode atuar num palco sem platéia. Você pode atuar num teatro escuro. Você pode atuar sozinha e ao final, sabe que não existirão aplausos. A vida permite. As escolhas são suas.
Mas você pode ser a protagonista da sua vida. Você é a sua platéia. Que instiga. Você é a luz que brilha no palco. E com certeza não estará sozinha. E com certeza existirão aplausos. Pois na verdade, a sua platéia é grande. Os que torcem por você são inúmeros. Os aplausos são ensurdecedores. É preciso apenas abrir os olhos e enxergar. É preciso apenas ouvir e sentir.
Cada experiência é única. Particular. Só quem viveu sabe o que significou. Só quem morreu sabe a dor que é renascer. Mas também só quem renasce conhece a beleza de sentir o calor do sol aquecer nosso rosto. Só quem renasce descobre a simplicidade que existe no cair da chuva. Só quem renasce sabe a delicadeza de ouvir um blues. Só quem renasce sabe o prazer daquela gargalhada.
A vida é um reallity show no Pay-per-view. Sem edição. A hora é agora. Quando se está vivo. E você pode ser quem você quiser. Mas tem que pagar para ver. E a vida não passa troco.

Receita Mágica

Sabores. Cheiros. Misturas. Texturas. Fogo. Alquimia. Desencontros. Encontros.

Isso daria um ótimo inicio de texto para falar sobre a arte de preparar um prato e receber os amigos. Sobre a descoberta de temperos que fazem a vida mais alegre e divertida. Sobre a instigação de ver vários ingredientes em alquimia, compondo uma comida que em breve será apreciada ao lado de quem se gosta.

Mas também serve para descrever um encontro ou um reencontro. Uma redescoberta do que já era conhecido. De repente é quando se depara com o ingrediente que faltava para tornar a vida mais gostosa, mais apimentada. Um olhar de soslaio e estava ali o tempero mágico, a especiaria que transforma qualquer instante numa experiência única, cristalizada no tempo. O mais interessante é que ocorreu num momento desapercebido e de repente estava lá. Ao meu lado. Ao meu alcance.

Os momentos seguintes foram de novas descobertas. A percepção da simplicidade. Mas uma simplicidade complexa. Uma simplicidade que transforma o natural em especial. Tão simples e especial quanto um pão com mortadela. Quanto o seu abraço. Tão marcante quanto um bom camarão. Quanto seu olhar. Tão doce quanto um brownie. Quanto seu cheiro. Tão inesquecível e única quanto um Carménère. Quanto o seu beijo.

Cada detalhe seu é comparado à mágica de se criar um bom prato. O olhar. O visual. O cheiro. O aroma. O toque. A textura. O gosto. O sabor. A prova. A Degustação. O Prazer. O Júbilo. A Harmonia. A Afinidade.

E cada singular deste é no mínimo uma viagem. Seja uma viagem a São Paulo. Seja uma viagem a Lua.

2 de novembro de 2007

As Novas Amizades de Infância

Certa vez recebi a incumbência de escrever sobre a “Amizade”. Qualquer coisa sobre as “Velhas” e as “Novas” amizades. O engraçado é que o pedido não partiu dos muitos amigos e amigas que tenho, desde a infância. Não partiu também da minha melhor amiga da época de faculdade, por exemplo. A idéia foi dada por uma pessoa, que no sentido figurado, representa a essência de uma “nova amizade”, porém, com pilares tão reforçados quanto minhas amizades de 3 décadas.
Eu sou realmente privilegiado em poder contar com relacionamentos que remontam desde meus primeiros anos de vida, que ao longo do tempo foram se aperfeiçoando e se fortalecendo. Ao mesmo passo em que eu envelhecia, conquistava novos amigos, e também perdia outros, mas minha balança sempre foi positiva.
O que mais me intriga é tentar compreender o fator determinante para que pessoas as quais eu nunca havia encontrado, simplesmente surjam em minha vida e conquistem um canto tão especial em meu coração, o qual somente aqueles com muitos anos de convivência conseguiram alcançar.
É uma afinidade pura, ladeada por um carinho que supera a falta da longa convivência, que em geral é o fator crucial para o fortalecimento das grandes amizades. É instigante como brota um amor inexplicável e incondicional por uma pessoa recém-conhecida e que goza de todas as prerrogativas dos amigos de “longas datas”.
Não tenho certeza o que determina estas afinidades. Não tenho certeza o que faz disparar o gatilho da afeição pura e simples. O que posso afirmar é que a manutenção destes relacionamentos segue a mesma trilha das amizades estruturadas ao longo do tempo, baseadas nos preceitos de Respeito, Admiração, Proteção, Companheirismo, Confiança.
Tenho a convicção que o maior legado que possuo são meus amigos. São eles a minha maior riqueza. Cada um com a sua particularidade. Cada um com a sua dose de doação e de ensinamento. E que ao final, me tornam uma pessoa muito melhor e extremamente feliz. São vocês que me fazem ter certeza que não existem “Velhas” e “Novas” amizades. São vocês que me fazem ter certeza que o amigo verdadeiro é o verdadeiro amigo e que se renova diariamente, dia após dia, independente do Tempo. E posso garantir: cada amizade é no mínimo uma viagem.

28 de março de 2007

Hoje, 28 de março

Hoje, 28 de março. Hoje eu mandaria um delicioso café da manhã, só pra dizer como é gostoso ter você. Enviaria um lindo bouquet de rosas, pra mostrar como você é bela e delicada. Dividiria um apetitoso bolo de chocolate, pra mostrar como você é doce e divertida. Cantaria Parabéns Pra Você com todo ar dos meus pulmões só pra dizer o quanto sou feliz em ter você ao meu lado. Faria tudo isso pra dizer que te amo. Hoje, 28 de março. Feliz aniversário meu amor.

18 de março de 2007

Até que a morte os separe?

Na cerimônia católica do matrimônio o padre profere estas palavras, para que os noivos repitam, sendo um dos rituais mais marcantes do casamento: “ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando e respeitando ate que a morte os separe”.
Não há duvidas de que efetivamente a morte separa. Afasta. Quando perdi a pessoa que amava, senti uma dor que não passa, que não se acalenta nem alivia. Eu, que fiquei, tive um pedaço de mim que morreu junto. É preciso continuar vivendo, de fato. E isso eu faço. A morte tem uma característica que é um acontecimento à nossa revelia e que por isso mesmo não há chance de “se preparar”. O relacionamento então é terminado de forma compulsória. Mas e as promessas? E o ser fiel? O amando e respeitando encerra à morte dela? Não! Não encerra.
Por certo que quem fica tem todo direito a ser feliz e tentar construir uma nova vida. Mas o fato de envolver-me com outra pessoa quebra minha promessa de ser fiel. Ser fiel não tem validade. Amar e respeitar não tem prazo de término. A morte separa. Mas não leva junto com ela o sentimento. Não leva junto com ela a fidelidade ou a promessa antes pactuada.
Tenho certeza que ainda vou me envolver com outra pessoa, casar e realizar meus sonhos (agora meus) que outrora foram praquele amor que tive. É preciso identificar estes sentimentos e ficar atento para que não bloqueie o amor por outra pessoa. Mas eu posso garantir que permanecerei fiel, amando e respeitando, mesmo que a morte tenha nos separado.
Desta forma, tomo a liberdade para alterar aquela frase e reescreve-la:
"Meu amor, prometo te ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te, para sempre. Eternamente".

12 de novembro de 2006

Saudade do Futuro

Talvez se eu pudesse escrever com o silêncio empregaria essa técnica neste momento. Talvez a tenha usado inclusive, por não ter escrito um texto, ou por não ter conseguido concluir um texto nos últimos meses. Consigo uma explicação plausível para os últimos 45 dias. Anterior a isto é puro empirismo. Faltaram-me: inspiração, desejo, força, coragem e até mesmo um cenário passível de ser descrito. Pra terminar esta declaração vou precisar usar o suporte de um texto já publicado chamado “Efemeridade”. Não sei se por prenúncio ou se por casualidade. Mas o fato é que eu fiz o texto para um momento que vivi, acreditando ter sido marcante, não tendo noção do que me aguardava alguns poucos meses à frente.

Eu, como uma boa parte das pessoas, sempre sonhei em ter o amor-verdadeiro, o amor-companheiro, amor-cúmplice, o amor-singular. Sonhava em ter uma companheira, no sentido literal. Uma pessoa que eu admirasse eternamente. Que me fizesse feliz e que fosse feliz ao meu lado. Sonhava em casar. Em ter filhos e me dedicar a ela e a família de forma intensa e perene. Sonhava no mínimo em envelhecer ao lado dela até o fim da vida. Em alguns relacionamentos que tive, quis acreditar que o sonho era real, mas o coração não me dava certeza. Num dado momento da minha vida ouvi as seguintes palavras: quando você encontrar o seu amor verdadeiro, você vai saber.

E foi num despretensioso dia que me deparei com esta verdade. Um dia normal, uma pessoa normal, mas que, ali, naquele instante, meu coração avisava: Ela existe! O instante seguinte foi a construção de uma nova realidade, regida pela felicidade extrema ao mesmo tempo por uma profunda sensação de conforto sentindo que eu tinha encontrado a energia que faltava para complementar minha vida.

Mas foi num outro despretensioso dia que meu amor virou saudade. Que meu casamento deixou de existir, que minha família não passou de um ideal, que envelhecer ao lado daquela pessoa voltou a ser apenas um sonho. Passei a sentir saudade do meu futuro. A convivência que tivemos em futuros 50 anos de vida a dois deixa o momento atual completamente fora de contexto. Perder a referência da pessoa que se ama e que se deseja passar o resto vida juntos não parece ser uma coisa que seja assimilada a tempo nenhum. É um fluxo interrompido bruscamente e que não permite adequações, que não permite sublimações, que torna o instante cristalizado no tempo.

Neste momento cabe ler o texto “Efemeridade”.

E vivendo cada momento como se fosse o derradeiro, minha felicidade é saber que as últimas palavras ditas por mim para ela foram: meu amor, eu te amo.

23 de maio de 2006

O Microcosmo

O nosso microcosmo é um espelho do universo que nos cerca. Não gosto de escrever sobre assuntos que são exaustivamente expostos na grande mídia. Mas acho interessante fazer algumas ponderações principalmente quando “grandes” líderes mundiais se digladiam, ora em palavras, ora em gestos bélicos.Eu reduzo aquela ação e vejo que não importa o tamanho do cosmo, mas o comportamento humano se perpetua da mesma forma. Senão vejamos: Uma criança de três anos disputa um brinquedo e briga com outra por ter invadido “seu“ espaço. Filhos brigam pela atenção dos pais. O marido pelo “domínio” da casa. A esposa pelo respeito do marido. Um traficante defende sua boca de fumo, seus interesses comerciais e a sua política e até entra em guerra por declarações da favela rival quando ameaçam seus negócios. O político briga por mais votos e não mede esforços para destruir seu concorrente. O mundo é pequeno. O universo é pequeno. A visão é pequena. O presidente da maior potência econômica e bélica do atual mundo briga, com seus adversários políticos, como meus colegas brigavam pela bola na época do colégio. Na minha época o “dono da bola” era o dono do jogo. Encerrava-o e escolhia seus parceiros a seu bel prazer. E quem reclamasse não jogava. E quem reclamasse demais era “convidado” a não mais jogar utilizando-se para isso métodos não católicos de persuasão. Atualmente usam, em alguns momentos, apenas palavras e sanções. Em outros, através de sopapos e tiros (muitos mais tiros que sopapos). Assim como o outro lá fez para tirar o ditador do poder. O mais interessante é que depois de velhos, depois que o tempo passa e a maturidade chega, todo mundo perdoa, avaliam os antigos atos como erros e muitos não os repetiriam se pudessem voltar no tempo. E aí provamos da nossa ignorância. Não aprendemos com os mais velhos. Não aprendemos com os nossos erros. Pois pior do que não fazer nada, por não saber o que fazer, é saber o que fazer e não fazer nada! Avançar no futuro ou voltar no passado (permitam-me o pleonasmo) ou avançar no passado e voltar no futuro (agora me permitam o paradoxo) não é tão impossível como teorizam os físicos. Se soubermos aprender e(a) mudar. E mudar a imagem do espelho que se alonga com tendência ao infinito é no mínimo uma viagem.

14 de março de 2006

Efemeridade

O quão pouco dura o Tempo para se transformar num instante? Qual o momento certo para se despedir? Einstein deixou claro que o tempo é relativo e que sua percepção depende do observador. Mas tem um fator nessa tríade espaço-tempo-velocidade da luz, que muda todo o cenário. É quando há sentimento pulsante. Um adeus. Uma decisão. Uma espera. O amanhã é sempre presente e passível de ser alcançado. Mas, num ponto singular do tempo, tudo muda completamente. O adeus não é mais possível. O amanha não vai acontecer. O instante de tão efêmero se torna eterno. Nada mais se pode fazer a não ser sentir. Saudade. Ausência. Dor. Tenta-se imediatamente recuperar o segundo anterior. Mas este já não existe mais. Somos os únicos que temos pelo menos uma certeza. E é exatamente para ela que nunca nos preparamos. A idéia de presente-passado-futuro perde o sentido. O tempo deixa de existir exatamente neste único e particular instante. Mais uma vez fica aquela lição que de exaustivamente dita, se torna inaudível. Porém, freqüentemente retorna para dizer o que é a mais pura verdade: Viva cada instante como se fosse o último. Porque este o é! E ai, só nos restam as lembranças.

30 de janeiro de 2006

Outro Mundo

Uma nova cultura. Uma nova referência. Novos relacionamentos. São sempre desafios.
Cada novo mundo implica numa série de mudanças. É um processo de aculturamento.
Eu costumo ouvir pessoas que reclamam de um determinado lugar, seja sobre seu povo, sua cultura, sua forma de falar ou tudo isso junto. Eu acho lamentável. É obvio que algumas cidades ou comportamentos nos agradam mais ou menos. Mas viajar, conviver com outras culturas exige tolerância. Em renúncia de valores. Eu costumo dizer que não se pode comparar o lugar que eu me encontro com a minha cidade natal. Primeiro que nesta comparação envolve necessariamente sentimentos. E ai a análise já sofre bastante parcialidade. Segundo que efetivamente não acredito que se possa comparar uma cultura com outra. Por mais parecida de que seja.O mais gostoso de conhecer novas culturas é exatamente a descoberta do novo. Novas formas de ver uma realidade inexistente. Manter-se aberto e absorver o máximo de informações. Sem pré-conceitos e principalmente pós-conceitos, mas (mais) essencialmente respeito! Cada cultura tem a sua peculiaridade. Se eu gosto ou não é um detalhe puramente pessoal. Eu sinto que esta abertura ao novo me torna mais rico em conhecimento, mais compreensível. Não entendo como as pessoas podem se fechar a isto. Bom, não me cabe fazer juízo de valor. O que posso dizer com certeza é que viajar é mudança. Viajar é crescer. É descobrir outro mundo. E isto é no mínimo uma viagem.

25 de janeiro de 2006

O Momento

O momento ideal. A hora ideal. A chance ideal. Instantes de certezas ou de dúvidas? Ou será apenas medo? A vida sempre põe bifurcações testando a capacidade que tenho de aproveitar as oportunidades. A toda decisão implica uma possível mudança e tudo o que ela acarreta. Eu me acostumei a não olhar pra trás. Na verdade foi minha mãe que sempre disso isso: meu filho, depois da decisão tomada, nunca olhe pra trás.
Eu sempre tomo isso como referência. O importante é não parar. É não titubear. Depois da decisão tomada não se pode retornar ao instante anterior. A solução é tomar outra decisão. E ai sempre vem a pergunta: era o momento certo? Era a última ou única chance? Não há como ter certeza, mas confesso que com esse pensamento de sempre olhar pra frente, minhas decisões ficaram mais simples e rápidas. Hoje, adoro tomar decisões, mesmo porque, o risco e mudanças inerentes me atraem. As vezes gosto de pensar onde estaria hoje se tivesse tomado outras decisões em minha vida. De criar cenários e conjunturas, muitas vezes comparando com amigos que estavam na mesma situação que eu no instante em que resolvi mudar. Em geral me dou por satisfeito com o que conquistei. Eu sempre digo aos meus amigos: nunca pense no que você largou e sim no que você conquistou!
É uma forma de ter sempre motivação e continuar no processo perene de crescimento e conquistas. Mas não é sempre que acerto na decisão. E quando ela é errada? Ou não é exatamente aquilo que eu buscava? Mantenho minha cabeça olhando pro horizonte. É preciso olhar pra frente. Aprender com os erros. Aprender a não repeti-los. E aguardar outra bifurcação para escolher o novo caminho. E assim segue a vida... e cada nova decisão é no mínimo uma viagem.

19 de janeiro de 2006

O Retorno

Eu adoro sair. Sair é bom. Seguir é bom. Mudar é bom. Mas voltar também é bom. Ver de novo. Descobrir o que já foi descoberto. A certeza de que tudo está do jeito que sempre foi. Um dos meus maiores prazeres é partir. Mas não abandonar. Abandonar é pesado. Não deixa boas lembranças. Não gera desejo de voltar. Gosto de partir principalmente rumo ao desconhecido. Mas que tão logo tornar-se-á parte integrante da intimidade. Retornar tem um sabor especial. Talvez seja mesmo a re-confirmação de que eu posso sair, porque posso voltar. Certa vez ouvi as seguintes palavras: - vá. Se precisar volte. Nós estamos aqui.
Essas palavras entraram pela minha mente e alojaram-se de maneira eterna no meu coração. É claro que eu sabia que tudo estaria lá. Mas ouvi-las naquele exato momento fez com que essas palavras se tornassem mágicas. São elas o combustível que retroalimenta o desejo contínuo da mudança. Da descoberta. O que será que existe de tão forte em tão poucas palavras? Eu tinha a certeza racional de que tudo estaria lá. Quase que esperando pelo retorno. Mesmo que um retorno efêmero. Mas foi a cumplicidade. Uma cumplicidade ventral. O aval que permite partir. E voltar. Sem medo. Meus amigos já se acostumaram com a minha presença distante. Certa vez, numa conversa despretensiosa, a não ser pelo desejo de matar a saudade, uma amiga comentou: - sabe... outro dia viajei sozinha de carro para outra cidade. Para casa de uma amiga. Era a primeira vez que fazia tudo isso sozinha. Percebi que criei outra percepção da minha família. Outra percepção da minha existência.
Acredito que foram momentos simples. Que para muitos talvez não tenha significado. Mas despertou nela, num breve lapso, um sentimento confortável de existência. De importância. Essa amiga me questionou se eu sentia o mesmo com este meu comportamento errante.Sim. Sinto. E talvez seja isso que me impulsione e ao mesmo tempo tranqüilize a cada novo passo. A cada nova saída. E a cada novo retorno. Sair é bom. Retornar é no mínimo uma viagem.

16 de janeiro de 2006

O Primeiro Porto

Mudança. O primeiro passo. O primeiro desprendimento. A primeira saída. A primeira renúncia. A primeira incerteza. A primeira insegurança. Um novo passo. Uma nova conquista. Uma nova alternativa. Uma nova entrega. Uma nova descoberta.
E foi assim que começou. De um sonho. Do desejo de conhecer o desconhecido. Do porque não. Dos incentivos instigantes da vida.
Zarpa-se. O que será a realidade? O desconhecido torna-se parceiro. Companheiro. Tudo é novo. Ou será diferente? Pra onde seguir? É preciso dar o primeiro passo novamente. Ativa-se todos os sentidos. Os cheiros. Os toques. Os sons. Segue-se em frente. Toda mudança gera a oportunidade do recomeço.
E foi assim. Deixando fluir. Sentindo-me vivo. Parte integrante. Interagindo. Despreocupado. Aconteceu a primeira descoberta. O desconhecido me fascina. Adoro mudar. Adoro não saber onde estou exatamente. Não saber para aonde estou indo. Não saber aonde estou chegando. Adoro descobrir. Conquistar. Conhecer. São novos sentimentos. Novas referências. Pré-conceitos que desaparecem. São novos sentidos. Novos sabores. Novas sensações. Imiscuir-se com a nova atmosfera. Com as novas energias. Tudo isso embriaga. Entorpece. Narcosa. Anestesia. Vicia. Hipnotiza.
Já são várias partidas. Cada uma única. Especial. Incrível. Inédita. Cheias de incertezas.
A única certeza: o Primeiro Porto. É o Porto Seguro. A família. Os amigos. A cidade. As águas calmas. Os cheiros. Os toques. Os sons. Tudo toma outra proporção. Outro valor. Outra referência. Outro sentimento. Recuperam-se instintos guardados. Mas logo o desejo do novo prevalece. Sobrepuja. Invade. Seqüestra. Mudar é isso. É preciso o primeiro passo. No mínimo uma viagem.